domingo, 24 de setembro de 2017

Como eu vi a sociedade brasileira.


"Mas essas virtudes não são sinônimos de bons modos, muito menos de bondade ou amizade. No fundo, a nossa forma de convívio social é “justamente o contrário da polidez”.Ou seja, a atitude polida equivale a um disfarce que permite cada qual preservar sua sensibilidade e suas emoções e, com essa máscara, “o indivíduo consegue manter sua supremacia ante o social”
O Homem Cordial Brasileiro - definição de Sergio Buarque de Holanda.



Eu nasci pobre. Na virada dos anos 70 para os 80, quem tinha casa própria, telefone e um carro pra chamar de seus bens, não era assim tão miserável, mas pobre com certeza. Era o final da ditadura militar e emprego não faltava em São Paulo, mas o crédito escasso para o financiamento de automóveis e a falta de rede de telefonia, tornavam o meu patamar de vida, um pequeno luxo.

De lá para cá, após muitos altos e baixos, eu continuo pobre. Mas, aprendi um bocado de coisas, seguramente. Até os 14 anos eu só ia pra escola e para a igreja, jogava bola e brincava, ia no playcenter uma vez por ano e as vezes viaja de férias. Tudo o que eu sabia da sociedade é que existia o caminhão da Cobal, uma carreta do governo que funcionava como mercado ambulante nas periferias de SP; que as vezes, sempre a tardinha, os militares apareciam às centenas, em caminhões e saiam revistando quase todo mundo que estivesse na rua e até prendiam as pessoas que não tinham emprego, por vadiagem; e que o Centro Empresarial onde meu pai trabalhava era o lugar mais incrível do mundo.

Aos 14, em 1999, meu pai chegou com a novidade: "inventaram ai o computador, muito melhor que a tv, faz até chover se quiser. E a partir de segunda-feira você vai estudar este bicho ai. a escola fica lá no centro (Rua Quintino Bocaiuva) e na primeira vez eu vou te levar, depois você vai sozinho." De uma hora para outra eu estava solto no centro da maior cidade da America do Sul! 

Eu me apaixonei pela diversidade e quantidade de gentes, com seus andares frenéticos ou serenos, vestidas com elegância ou despojamento, em grupos ou sozinhas, de todas as raças e cores!

Com o passar do tempo eu fui percebendo, dia-a-dia, que, como povo em linhas gerais, o brasileiro não é assim tão legal como faz parecer. à nosso povo carece a empatia para com o semelhante, a solidariedade (que só aparece quando instigada publicamente) e até uma moral mais elevada. Boa parte da nossa gente é mesquinha, avarenta, afeita a levar vantagens indevidas, desleal, corporativista, imediatista e preconceituosa. A classe politica é um estrato da nossa sociedade e muitas pessoas que cobram o fim da corrupção em Brasilia, cometem pequenas corrupções no cotidiano. usam dissimuladamente vagas e assentos reservados para pessoas especiais (idosos, gestantes, deficientes), não devolvem o troco errado ou o objeto de valor achado na rua, dão "gorjeta" para escapar da multa e invariavelmente espezinham pessoas supostamente abaixo de si e submetem-se voluntariamente aos desaforos dos que estão acima, no intento de se locupletar.  O brasileiro não sabe aceitar as diferenças e tampouco o espaço alheio. não respeita a coisa pública, tratando o que é bem comum como se fosse coisa de ninguém. Esconde seus defeitos para apontar o dedo ao defeito alheio. Pobre povo brasileiro.

Vejamos o exemplo do machismo. Quase a totalidade das mulheres repudia e brada contra, mas é extremamente raro ver uma mãe educando seu filho do sexo masculino para conviver em igualdade de gênero. Parecem não se dar conta de que estão criando um machista e alimentando o que tanto reclamam.

O diabo é que eu mesmo, ja cometi muitos destes erros e até hoje (e cada dia mais) me policio para ser uma pessoa melhor a cada dia.

sábado, 23 de setembro de 2017

Como eu vi Deus.

Eu nasci numa família religiosa, cristã e protestante. Meu ultrassom, diga-se, foi feito através de uma bíblia. Nos idos de 1974 a tecnologia não era assim uma característica de nossa sociedade e até o quarto mês de gravidez, minha mãe só comprava roupa amarela, porque "aquela maquina" não conseguia simplesmente descobrir o sexo do bebê.
Minha avó materna (que quando jovem era "macumbeira do pé roxo") chegou em casa, pegou uma bíblia, abriu aleatoriamente e bradou:
-Que livro é este aqui Neuzinho? (Neuzinho, meu pai Irineu e a véia teve que perguntar porque era analfabeta, de pai e mãe).
-II Samuel.
Diante da resposta, dona Nenê profetizou:
-Será um varão e se chamará Samuel!
Em dezembro daquele ano, com meu enxoval todo azulzinho devidamente comprado, aquela maquina confirmou a profecia (felizmente) e em Janeiro do ano seguinte eu cheguei por estas bandas. Até hoje me pergunto o que seria se a profecia falhasse, mas isto é outra história.
Imagem de the odyssey online


Até os 15 anos, eu fui criado (meio a contragosto) dentro da igreja. Quando eu comecei a trabalhar, primeira providência foi pular fora. Comecei a fumar e a beber, a conhecer pessoas e lugares e cortava volta quando encontrava um crente na rua. mas, na verdade nunca deixei de acreditar quase que piamente em Deus, na bíblia e na igreja (até então).

Começar a trabalhar cedo tem suas vantagens. Na época eu trabalhava e estudava, vida corrida e sofrida, para ajudar a manter a casa e a família. Meu primeiro emprego foi como auxiliar de escritório nas Industrias Villares, antiga fábrica de elevadores e escadas rolantes, emprego arranjado por meu pai que já trabalhava lá fazia algum tempo. Lá, num universo totalmente novo, comecei a conhecer pessoas com pensamento diverso ao que eu julgava ser o correto e preponderante, desenvolvi o gosto pela leitura de jornais e revistas e tive minhas primeiras impressões sobre o ateísmo e outras religiões. Espiritas não me pareciam assim, pessoas  demoníacas, tão de perto.

Acabei me tornando um leitor compulsivo e cheguei a ler 50 livros por ano, fora outras publicações (lia até bula de remédio e rótulo de shampoo no banheiro) e meio sem perceber acabei me afastando da religião. Quando alguém perguntava eu respondia que não tinha ou que era "protestante não praticante", o que me parecia bem polido para um rapazote.

Comecei a ter contato com computador e internet bem antes que a maioria das pessoas, trabalhava com computadores de fosforo cinza ou verde e usava os tataravós do office (word perffect e quattro pró). meu primeiro computador foi um moderno 386 no inicio dos anos 90, onde instalei o windows 3.1 (uma revolução tecnológica) e vi nascer os dinossauros das redes sociais (salas de bate-papo) a reboque de internet discada por modem de 33.6 mbps,  fui também um dos primeiros a entrar no orkut, que era coisa muito chique. Em ambos os casos, logo me interessei pelos debates políticos e religiosos, ampliando ainda mais minhas desconfianças sobre a religião.

Quando minha mãe, que era crente toda vida, daquele tipo que levantava de madrugada para orar pelas pessoas, sofreu um acidente doméstico e faleceu, sai do armário religioso: de quase agnóstico, me declarei ateu e pronto e acabou! Havia tempos eu intuía que um Deus criador não fazia muito sentido. Eu conhecia todas as teorias cientificas e filosóficas que refutavam a existência de Deus.

Paralelamente eu conheci muitas pessoas de diferentes religiões ao ingressar no serviço público, onde a diversidade é mais aceita e conversava muito com pessoas que tinham diversos graus de divergência sobre religião. E foi com o passar do tempo que lentamente eu fui tendo o que chamo de "meu encontro pessoal com Deus".

Alguns estudos apontam para algo como 16 mil religiões conhecidas no mundo, mono e politeístas. Religião vem de "religare" e sugere uma religação ou conexão. É possível que todo este povo não esteja equivocado.

Desde o xamanismo o homem tenta entender e dominar os processos que o cercam. a religião, assim como a ciência, surgiu para estudar estes fenômenos. Com o passar do tempo, a ciência conseguiu conhecer as coisas básicas que deram a ambas (ciência e religião). O homem conseguiu entender, dominar e explicar o sol, a lua, a força de gravidade, a existência do universo e aí houve a cisão. ciência é saber e religião é crer.

Se a gente pegar aqui a religião que eu posso chamar de minha, por meio da ciência sua história é a seguinte: Jesus, um hippie doidão, autoproclamado filho de Deus, afrontou o judaísmo e deu sua própria interpretação. quando ele morreu, um bando de gente acreditou em sua santidade e começou a adora-lo, estava criado o cristianismo primitivo. Constantino III, um imperador sabichão percebeu o potencial de dominação popular da nova religião e resolveu se apropriar dela. Criou então a Igreja Católica Apostólica Romana, se autoconverteu, botou seus soldados atrás das igrejas primitivas com a seguinte proposta: Dependência ou morte! as igrejas eram forçadas a aderir a criação do imperador ou eram exterminadas. pouquíssimas igrejas conseguiram resistir e o império tinha o perfeito instrumento de dominação do povo. Deus, o tão temido, agora trabalhava para os interesses do estado romano. Havia ainda um problema: Cada igreja utilizava seus próprios manuscritos (os que ainda circulam por ai são chamados de apócrifos), o homem então escolheu os mais coerentes e excluiu os demais (alguns diziam que Jesus casou e até que era gay), sendo este seu primeiro milagre (reza a lenda que um vento atingiu o altar onde estavam todos os manuscritos e varreu pra longe os impuros, deixando apenas os divinamente inspirados). Assim surgiu o novo testamento, que junto com o Torá (livro dos Judeus ou velho testamento) formou a bíblia, tal qual conhecemos hoje - ou quase isto.

A igreja era muito parecida com o inferno. Não havia celibato, o homossexualismo era regra, houveram Papas que fariam Calígula corar, alguns com até 700 filhos, outro que morreu sendo sodomizado (na versão oficial por indigestão causada por melões) e outros tantos que promoviam orgias a valer.

A igreja cristã também matou muita gente, com suas cruzadas e mais tarde com a santa inquisição (assuntos para outros posts) e ganhou muito dinheiro, inclusive vendendo indulgencias para os mais ricos poderem pecar em paz.

Depois, quando tudo parecia tranquilo, surgiu Martinho Lutero, achando que tava tudo errado. hoje se sabe que o reformista não é bem o que se conta, mas trataremos isto em outro post também. Lutero com sua reforma protestante criou os "crentes"  atuais e ainda hoje há muita coisa que não é tão sagrada assim em muitas igrejas.

O grande problema da religião é que ela é tocada por homens e homens, todos sabemos, são falhos, são egoístas e interesseiros. Não existem muitos por ai capazes de serem verdadeiros representantes de Deus.

Mas, todavia, entretanto, porém...
Contrariando toda a lógica e todo o saber cientifico, o mundo é permeado pelo sobrenatural, pelo imponderável! As coisas, o tempo todo, acontecem de uma forma que o acaso não explica e a ciência não resolve. Por que a mesma ação produz resultado diferente em indivíduos diversos? Porque as coisas, podendo acontecer de tantas formas, inexplicavelmente são como são com cada um? Se você prestar atenção e procurar as respostas dentro de você, vai perceber que há uma razão, há muitas razões, que a própria razão desconhece. Se como eu, você percorrer todos os caminhos possíveis, da extrema religiosidade a negação da fé, da busca pela compreensão desapegada da pregação religiosa banal, pode perceber que existe uma força descomunal regendo o universo e cada folha que cai da árvore e cada fio que cai da sua cabeça. Esta força, eu acredito, é o que convém chamar de Deus!

Ao mesmo tempo, os homens falhos como o que, profanam a tudo e em tudo tentam tirar vantagens. a sua religião, seja ela qual for, está contaminada por espertalhões e armadilhas visando o lucro e a dominação, mas é possível que Deus, se faça prevalecer por estas linhas tortas.  É possível achar conforto espiritual na bíblia, mesmo sabendo que ela foi deturpada por homens maquiavélicos, é possível sentir Deus, mesmo sabendo que muitos os que se proclamam seus representantes não querem nada com ele.

Deus é amor, que agora vemos em parte, mas veremos face-a-face. Quanto mais você ama, mais perto de Deus você está! Amar indiscriminadamente, as pessoas, a natureza e a vida é a grande mensagem de Deus, assim e só assim você o estará amando sobre todas as coisas!

Como eu vi a vida.

Dom Pedro (pensador) de Petrópolis - RJ em imagem de TripAdvisor

Vivemos na era da informação. As crianças de hoje nascem fazendo selfie e não imaginam a vida analógica que existia (era a única) até outro dia. A era da informação, não é necessariamente a era do conhecimento. Sobretudo no mundo virtual existem muitas ideias e poucas verdades. Muita gente continua se eximindo de pensar, de conhecer, de questionar e a vida virtual acaba mais tumultuada que a real. 

Na vida virtual existe a falsa sensação de que se pode ser quem quiser, dizer o que quiser e tá tudo certo. isto leva uma onda de postagens onde as pessoas são felizes, bem sucedidas e inteligentes, de uma forma que quem é sincero, acaba até se sentindo diminuído.

Com este bloguinho despretensioso vamos tecer aqui algumas ideias sobre a percepção que os 40 anos nos trás desta vida louca e breve.

Vamos falar um pouco de politica, religião, futebol, da nossa sociedade e das aflições e alegrias de ser humano e imperfeito.

Não como donos da verdade, mas como uma provocação proposital a quem tenha um tempinho para perder por aqui.

bem vindos ao nosso blog, talvez você possa aproveitar alguma coisa!