"Mas essas virtudes não são sinônimos de bons modos, muito menos de bondade ou amizade. No fundo, a nossa forma de convívio social é “justamente o contrário da polidez”.Ou seja, a atitude polida equivale a um disfarce que permite cada qual preservar sua sensibilidade e suas emoções e, com essa máscara, “o indivíduo consegue manter sua supremacia ante o social”
O Homem Cordial Brasileiro - definição de Sergio Buarque de Holanda.
Eu nasci pobre. Na virada dos anos 70 para os 80, quem tinha casa própria, telefone e um carro pra chamar de seus bens, não era assim tão miserável, mas pobre com certeza. Era o final da ditadura militar e emprego não faltava em São Paulo, mas o crédito escasso para o financiamento de automóveis e a falta de rede de telefonia, tornavam o meu patamar de vida, um pequeno luxo.
De lá para cá, após muitos altos e baixos, eu continuo pobre. Mas, aprendi um bocado de coisas, seguramente. Até os 14 anos eu só ia pra escola e para a igreja, jogava bola e brincava, ia no playcenter uma vez por ano e as vezes viaja de férias. Tudo o que eu sabia da sociedade é que existia o caminhão da Cobal, uma carreta do governo que funcionava como mercado ambulante nas periferias de SP; que as vezes, sempre a tardinha, os militares apareciam às centenas, em caminhões e saiam revistando quase todo mundo que estivesse na rua e até prendiam as pessoas que não tinham emprego, por vadiagem; e que o Centro Empresarial onde meu pai trabalhava era o lugar mais incrível do mundo.
Aos 14, em 1999, meu pai chegou com a novidade: "inventaram ai o computador, muito melhor que a tv, faz até chover se quiser. E a partir de segunda-feira você vai estudar este bicho ai. a escola fica lá no centro (Rua Quintino Bocaiuva) e na primeira vez eu vou te levar, depois você vai sozinho." De uma hora para outra eu estava solto no centro da maior cidade da America do Sul!
Eu me apaixonei pela diversidade e quantidade de gentes, com seus andares frenéticos ou serenos, vestidas com elegância ou despojamento, em grupos ou sozinhas, de todas as raças e cores!
Com o passar do tempo eu fui percebendo, dia-a-dia, que, como povo em linhas gerais, o brasileiro não é assim tão legal como faz parecer. à nosso povo carece a empatia para com o semelhante, a solidariedade (que só aparece quando instigada publicamente) e até uma moral mais elevada. Boa parte da nossa gente é mesquinha, avarenta, afeita a levar vantagens indevidas, desleal, corporativista, imediatista e preconceituosa. A classe politica é um estrato da nossa sociedade e muitas pessoas que cobram o fim da corrupção em Brasilia, cometem pequenas corrupções no cotidiano. usam dissimuladamente vagas e assentos reservados para pessoas especiais (idosos, gestantes, deficientes), não devolvem o troco errado ou o objeto de valor achado na rua, dão "gorjeta" para escapar da multa e invariavelmente espezinham pessoas supostamente abaixo de si e submetem-se voluntariamente aos desaforos dos que estão acima, no intento de se locupletar. O brasileiro não sabe aceitar as diferenças e tampouco o espaço alheio. não respeita a coisa pública, tratando o que é bem comum como se fosse coisa de ninguém. Esconde seus defeitos para apontar o dedo ao defeito alheio. Pobre povo brasileiro.
Vejamos o exemplo do machismo. Quase a totalidade das mulheres repudia e brada contra, mas é extremamente raro ver uma mãe educando seu filho do sexo masculino para conviver em igualdade de gênero. Parecem não se dar conta de que estão criando um machista e alimentando o que tanto reclamam.
O diabo é que eu mesmo, ja cometi muitos destes erros e até hoje (e cada dia mais) me policio para ser uma pessoa melhor a cada dia.



0 comentários:
Postar um comentário